Contratos de R$ 37 milhões na Prefeitura de Divinópolis são investigados após denúncias de favorecimento a empresas

  • 13/03/2026
(Foto: Reprodução)
Operação do Gaeco prende servidores e empresários por contratos de máquinas em Divinópolis A investigação sobre suspeitas de fraude em contratos que somam mais de R$ 37 milhões na Prefeitura de Divinópolis começou após denúncias de que empresas prestadoras de serviço recebiam tratamento diferenciado dentro da Secretaria Municipal de Operações e Serviços Urbanos (Semsur). O caso é alvo de uma operação do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), que também apura pagamento de propina que pode chegar a R$ 2 milhões. Ao todo, quatro pessoas foram presas: dois empresários e dois servidores públicos. Os nomes dos investigados não foram divulgados pelo MPMG, pois o processo corre em segredo de Justiça. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Centro-Oeste de Minas no WhatsApp As informações foram detalhadas pela administração municipal durante uma coletiva de imprensa realizada na quinta-feira (12). Participaram o assessor especial de Governo, Fernando Henrique, e o secretário de Governo, Matheus Tavares, que também responde interinamente pela secretaria. Segundo Fernando Henrique, as suspeitas surgiram após relatos de pessoas e também de servidores da própria secretaria ao gabinete do prefeito. “Algumas pessoas e também alguns servidores procuraram o gabinete do prefeito e relataram que irregularidades e situações estranhas estavam acontecendo. A gente apurou o mínimo para verificar se havia veracidade e, ao constatar que poderia ser verdade, o prefeito afastou o secretário da pasta e procurou o Ministério Público no mesmo dia para relatar os fatos”, afirmou. De acordo com ele, as denúncias apontavam que algumas empresas que prestavam serviços ao município recebiam vantagens indevidas. “O que estava sendo relatado era que algumas empresas tinham vantagens indevidas, recebiam por serviços que não eram prestados e também que alguns servidores ostentavam patrimônio que não era condizente com a remuneração que recebiam”, disse Fernando. Empresas recebiam mais do que o esperado Prefeitura de Divinópolis é alvo de operação do MPMG, foto de arquivo Anna Lúcia Silva/g1 As suspeitas envolvem principalmente contratos de fornecimento e locação de máquinas e caminhões usados em serviços urbanos, como manutenção de vias e obras executadas pela Prefeitura. Conforme a investigação, empresas contratadas recebiam pagamento por uma quantidade de serviço maior do que a efetivamente realizada. Fernando Henrique explicou que, embora os contratos fossem firmados de forma legal por meio de licitação, as irregularidades poderiam ocorrer na fase de execução. “As empresas eram contratadas de forma legal. O que ocorria, segundo a investigação, é que, na prestação de serviço, se pagava quantidade maior de serviço do que a de fato prestada”, afirmou. Economia após mudança na secretaria Matheus Tavares explicou que assumiu a secretaria de forma interina depois de a denúncia ser encaminhada ao Ministério Público e afirmou que a função da administração foi garantir a continuidade dos serviços com transparência. “Desde que assumimos a pasta, não assumimos com a função de investigar, porque não temos capacidade técnica para isso. Essa parte ficou a cargo do Ministério Público. O pedido foi para que assumíssemos a secretaria interinamente para garantir a execução do serviço de forma correta e transparente”, disse. De acordo com ele, após assumir a gestão da secretaria, foi realizado um levantamento dos serviços prestados e dos contratos existentes. Como exemplo, o secretário citou a redução no número de caminhões usados em determinados serviços. “Tínhamos seis caminhões prestando serviço para a secretaria. Reduzimos para dois porque entendemos que era suficiente para executar o trabalho. Fizemos isso em vários setores da secretaria e conseguimos manter o serviço à população”, afirmou. Segundo a Prefeitura, as mudanças resultaram em economia de quase R$ 20 milhões no último ano, sem prejuízo aos serviços prestados à população. Servidora foi exonerada Durante a coletiva, Matheus Tavares também confirmou que uma servidora comissionada foi exonerada após recomendação do Ministério Público. No entanto, o nome não foi informado. “Fui ao Ministério Público hoje à tarde e recebi a recomendação de exoneração dessa servidora específica. Assim que saí de lá, viemos para o Centro Administrativo, o decreto foi preparado pela Procuradoria. Eu assinei como secretário de Governo, o prefeito também assinou e ele foi publicado imediatamente. A servidora já foi comunicada e não está mais na secretaria”, explicou. Conforme a Prefeitura, os dois servidores presos na operação são efetivos e ocupavam cargos comissionados. Próximos passos A administração municipal informou que também abrirá procedimentos internos para apurar possíveis irregularidades administrativas. De acordo com Fernando Henrique, será instaurado um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para investigar a conduta dos servidores efetivos citados na investigação. “O Ministério Público recomendou a exoneração da servidora comissionada, o que foi feito imediatamente. Em relação aos servidores efetivos, vamos abrir um PAD para apurar o ilícito administrativo e, se for o caso, pode culminar na demissão deles”, afirmou. Além disso, a Controladoria do Município fará análise administrativa dos contratos investigados. “Foi recomendado que a Controladoria faça um processo administrativo para analisar todos os contratos envolvidos. O restante da investigação ficará a cargo do Ministério Público e do Gaeco”, disse Matheus Tavares. O Ministério Público segue com a análise de documentos e materiais apreendidos durante a operação para identificar os responsáveis e dimensionar o possível prejuízo causado aos cofres públicos. LEIA TAMBÉM: Servidor tentou intimidar policiais ao ser flagrado fazendo 'delivery' de cocaína MPMG cumpre mandados de busca e apreensão na Prefeitura de Divinópolis Justiça condena quatro por extorsão a servidor da Prefeitura de Divinópolis A operação O nome da operação faz referência ao uso da estrutura da prefeitura para interesses particulares. De acordo com a investigação, medições falsas de serviços de aluguel de máquinas eram usadas para justificar o desvio de dinheiro público. A operação contou com a participação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), da Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Público e das polícias Civil, Militar e Penal de Minas Gerais. Nota da Prefeitura "A Prefeitura de Divinópolis acompanha com atenção os desdobramentos da Operação Ghost Machine, deflagrada na manhã desta quinta-feira (12/3), resultado de investigações conduzidas pelo Ministério Público de Minas Gerais em conjunto com forças de segurança, após denúncia apresentada pelo prefeito Gleidson Azevedo. A ação foi coordenada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) Regional de Divinópolis e pela Promotoria de Defesa do Patrimônio Público, contando também com a participação da Polícia Militar de Minas Gerais e apoio das Polícias Civil e Penal. O objetivo da operação é desarticular uma associação criminosa suspeita de atuar em esquemas de corrupção, fraude em licitações e contratos públicos, além de práticas relacionadas à lavagem de dinheiro. As investigações apontam que o grupo teria utilizado a estrutura administrativa para fins particulares, especialmente por meio de medições fictícias relacionadas à locação de máquinas, mecanismo que teria servido de base para o desvio de recursos públicos. Os contratos sob investigação ultrapassam o valor de R$ 37 milhões, sendo que a propina supostamente paga pode superar R$ 2 milhões. De acordo com as informações divulgadas pelas autoridades responsáveis pela investigação, estão sendo cumpridos quatro mandados de prisão preventiva e 14 mandados de busca e apreensão na cidade de Divinópolis, com o objetivo de recolher documentos, dispositivos eletrônicos e outros elementos que possam contribuir para o avanço das apurações. A decisão judicial também determinou a indisponibilidade de bens e ativos financeiros dos investigados, incluindo contas bancárias, veículos, imóveis e outros patrimônios que possam ter relação com os crimes investigados. A apuração do caso teve início em março de 2025, após denúncia formalizada pelo Gabinete do Prefeito, e contou com a colaboração das instituições responsáveis pela defesa do patrimônio público e pelo combate ao crime organizado. Ao longo das investigações, foram reunidos elementos que indicam a existência de práticas irregulares envolvendo contratos públicos, circunstância que motivou a realização da operação policial nesta quinta-feira. Gleidson Azevedo explica que a apuração teve início após suspeitas identificadas pela própria administração municipal. Diante de indícios de irregularidades, a equipe realizou um levantamento de informações e reuniu documentos que foram encaminhados ao Ministério Público. Ao tomar conhecimento dos fatos, o prefeito determinou a exoneração imediata de um secretário municipal suspeito de envolvimento e procurou o Ministério Público para solicitar a investigação do caso, colocando à disposição todos os documentos necessários para assegurar transparência e colaborar com o esclarecimento completo da situação. Reforçando o compromisso com a transparência e a responsabilidade na gestão pública, a vice-prefeita Janete Aparecida também protocolizou documentos junto ao Ministério Público solicitando investigação rigorosa sobre as denúncias apresentadas. A iniciativa demonstra a postura da atual administração em não tolerar qualquer prática que comprometa a integridade da gestão pública e a correta aplicação dos recursos da população. A Prefeitura de Divinópolis reafirma que a atual gestão conduz suas ações com base na transparência, na responsabilidade e na idoneidade, princípios que orientam todas as decisões administrativas e políticas do governo municipal. Qualquer indício ou suspeita de irregularidade será sempre tratado com seriedade, com apuração criteriosa e comunicação imediata aos órgãos de controle e fiscalização, para que as medidas legais cabíveis sejam adotadas e eventuais crimes sejam devidamente investigados e combatidos. A administração municipal destaca ainda que continuará colaborando integralmente com as autoridades responsáveis pelas investigações, colocando à disposição todas as informações necessárias para o esclarecimento completo dos fatos e para o fortalecimento das instituições que atuam na defesa do interesse público". VÍDEOS: veja tudo sobre o Centro-Oeste de Minas

FONTE: https://g1.globo.com/mg/centro-oeste/noticia/2026/03/13/contratos-de-r-37-milhoes-na-prefeitura-de-divinopolis-foram-investigados-a-partir-de-denuncias-de-favorecimento-a-empresas.ghtml


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